13 janeiro 2011

Entrevista ao Jornal "O Cartaxinho"

Na última edição do Jornal "O Cartaxinho" - Jornal do Agrupamento Escolar Marcelino Mesquita - participei numa entrevista sobre as Juventudes Partidárias, enquanto Coordenador da Juventude Socialista (JS) do Cartaxo. Tive a companhia de Gonçalo Gaspar, Presidente da Juventude Social Democrata (JSD) do Cartaxo.

Estando a aguardar a disponibilização online do Jornal, deixo aqui as minhas respostas às questões colocadas. Posteriormente e quando estiver disponível no site do Agrupamento, irei colocar as imagens das duas entrevistas.

Desde já, agradeço o convite e a oportunidade que tive para colaborar, felicitando todos os que trabalham nestas edições do Jornal Escolar "O Cartaxinho".





Entrevista ao coordenador da Juventude Socialista do Cartaxo

Vasco Miguel Casimiro


1. O que é que te levou a entrar para esta Juventude partidária?

Primeiramente, por uma questão de intervenção cívica, desde os 7 anos que tenho uma activa participação associativa no concelho do Cartaxo. Mas foi a partir de 2001/2002 que despertou o interesse pela participação política, sendo fortalecido esse interesse ao ingressar, em 2003, na Faculdade de Direito de Lisboa – FDL (apelidada por excelência a escola de políticos de Portugal, onde despontaram Mário Soares, Jorge Sampaio, Durão Barroso, e tantas outras personalidades que bem conhecemos). Na FDL, acompanhei a actividade do NES (Núcleo de Estudantes Socialistas), com que sempre me identifiquei, mas nunca me tornei militante.

Ao concluir a licenciatura, julguei ter condições e maturidade política para poder contribuir com algo de positivo para a definição das políticas de juventude para o meu concelho. Sendo assim, a JS foi e é um instrumento fundamental para poder trabalhar nesse sentido e é a estrutura partidária juvenil com que mais me identifico no espectro partidário português. A história da JS está intimamente ligada à da Democracia portuguesa. A JS esteve presente nas lutas pela liberdade em 1975. A JS foi proponente da criação do estatuto trabalhador-estudante, propôs programas de mobilidade dos jovens como o cartão jovem ou o cartão interjovem, foi a primeira a sair em defesa das mulheres que optassem pela interrupção voluntária da gravidez, defendeu nos anos 80 a aposta na formação profissional, defendeu o crédito à habitação bonificado e o arrendamento jovem, Impulsionou o projecto-lei que criou o regime jurídico dos conselhos municipais da Juventude. São apenas alguns exemplos de como uma estrutura partidária juvenil pode influenciar decisivamente a política nacional. Além da participação em movimentos associativos, a participação política é essencial para uma melhor e mais saudável democracia. No entanto, gostaria de sublinhar que a principal motivação foi a política local, aquela em que a proximidade entre eleitos e eleitores é mais estreita, tendo em conta que as ideias que apresentamos poderão vir a ter influência directa na vida das pessoas que conhecemos e dos nossos concidadãos.




2. Como coordenador da JS do Cartaxo, o que achas da participação dos jovens na política? (Jovens do país e do Cartaxo mais especificamente)

Actualmente, existe um afastamento não só dos jovens mas dos cidadãos em geral em relação às várias formas de participação cívica, entre as quais a política. Mas, como um amigo me costuma dizer: “Não foram as pessoas que se afastaram da política mas sim a política que se afastou das pessoas”. No caso dos jovens, este afastamento é um facto indesmentível que foi comprovado pela sondagem efectuada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP), em Janeiro de 2008, a pedido do Sr. Presidente da República, o Prof. Aníbal Cavaco Silva.

No que respeita à participação dos jovens na vida política parece-me que o que se alterou acima de tudo foi a forma como os jovens participam, uma vez que o fazem em moldes distintos daquilo que acontecia há 10, 20 ou 30 anos atrás, em consequência da própria alteração da nossa estrutura social e das condições de vida. Não nos podemos esquecer que a geração de jovens que hoje temos, felizmente, já nasceu em democracia, e que por isso é natural que não tenha o mesmo tipo de intervenção dos jovens que, por exemplo, viveram a revolução na sociedade portuguesa e as grandes lutas pela aquisição de direitos sociais que se deu em Portugal na década de 70.

Hoje, vivemos na sociedade da informação e do acesso facilitado aos mais variados factores de interesse, pelo que, é necessário que os poderes públicos, as juventudes partidárias e os partidos políticos se modernizem e adaptem à realidade social e criem as condições para continuar a atrair os jovens para a política, nomeadamente, dando-lhes os instrumentos para uma intervenção mais activa, em que a sua voz seja ouvida, e em que tenham capacidade de decidir sobre o futuro e discutir soluções para as suas necessidades e problemas. Porque hoje em dia para atrair os jovens para uma causa é necessário demonstrar-lhes que a sua voz é verdadeiramente ouvida, e que eles são fundamentais nos processos de decisão. É esse facto que será essencial para, no futuro, voltar a aproximar a política dos jovens.

O afastamento das pessoas, e particularmente dos jovens, que se sente de uma forma geral, deve-se fundamentalmente a 2 factores:

a) Descredibilização da política em geral, originada por vezes por uma comunicação social que muitas vezes desinforma em vez de informar e afasta em vez de cativar, e por algumas atitudes menos positivas de pessoas ligadas à política, levando tudo isto a uma natural maior relutância dos jovens em se juntarem às juventudes partidárias;

Por outro lado

b) As juventudes partidárias e os partidos políticos são todos diferentes e cada estrutura olha para os jovens de forma diferente. Há partidos políticos que ficaram parados no tempo há 20 anos e que olham para as juventudes partidárias, não como veículos de progresso, de formação de jovens e de renovação dos seus quadros mas, como meros instrumentos utilizados para fazer campanha de rua, abanarem bandeiras.

Não posso concordar com a visão de que estamos perante uma geração de jovens com uma postura acrítica;

Estamos, isso sim, perante a geração mais bem preparada e mais qualificada de sempre.

Quanto ao concelho do Cartaxo, temos jovens que querem participar, que têm ideias e que são proactivos no panorama político, associativo e cívico. Destaco algumas associações juvenis, ou constituídas na sua maioria por jovens, existentes no nosso concelho e, obviamente, as duas estruturas partidárias com actividade visível e conhecida: JS e JSD.




3. O que achas que se deve fazer para se modificar esse comportamento? Na tua posição, o que tencionas fazer?

Ao ter tido a ousadia de pegar numa estrutura partidária como a JS Cartaxo, inactiva há alguns anos, com todas as dificuldades que daí advieram, foi o primeiro passo para modificar esse comportamento. Foi necessário voltar a mobilizar jovens que se interessassem pelos valores e tradições da nossa terra, que quisessem contribuir positivamente para o desenvolvimento de políticas socialistas de juventude no nosso concelho. O desafio foi e é grande mas temos confiança na nossa capacidade de trabalho e, acima de tudo, sabemos que a juventude das oito freguesias do concelho do Cartaxo tem imenso valor. Mas, sublinho e destaco que não é um trabalho solitário, trata-se de uma equipa, formada por jovens socialistas que se interessam e preocupam com o concelho do Cartaxo e com as suas oito freguesias. Jovens que participam activamente na vida associativa do concelho. Jovens alunos do ensino básico, secundário, politécnico e universitário, provenientes das mais diversas áreas de formação académica. Jovens trabalhadores e empreendedores. Pessoas de várias idades e sensibilidades que têm o intuito de fazer avançar a Juventude do Cartaxo. Queremos participar e contribuir para o presente e futuro do nosso concelho. Estamos disponíveis para acolher todos aqueles que quiserem ajudar com as suas ideias.

Temos posto em prática acções que visam a aproximação da JS a mais jovens e a todos os cidadãos do nosso município. Basta pegar em temas que suscitem o interesse, tais como o emprego, a educação e qualificação desde o ensino básico e secundário até ao ensino superior, passando pelas saídas profissionais, que teremos mais jovens curiosos e motivados para participar. A JS Cartaxo, mais do que uma “Jota partidária”, afirma-se como um espaço de intervenção política, com autonomia e independência do Partido Socialista. Temos o nosso posicionamento e ideias próprias, por vezes contrárias às do PS, e das quais não abdicamos. No entanto. a JS Cartaxo também é um espaço de convívio e de confraternização onde se ganham amizades e se partilham experiências para toda a vida. A quem não participa em nenhuma juventude partidária, lanço o apelo para participarem activamente. Ousem fazer algo pela vossa freguesia e pelo vosso concelho.




4. Como achas que vai ser o futuro dos jovens deste país? Vão ser prejudicados devido à actual crise financeira? Vão ter facilidade em arranjar emprego?

A primeira mensagem que gostaria de passar é a de que tenho esperança e plena confiança no valor dos jovens portugueses e, concretamente, na grande valia dos jovens cartaxeiros.

O actual panorama de crise internacional é incontornavelmente negativo e difícil. Temos níveis de desemprego elevados que duplicam se olharmos para a faixa etária dos jovens. Contudo, constata-se que os jovens com formação superior demoram claramente menos tempo a encontrar emprego do que os jovens que não apostam no desenvolvimento de competências académicas superiores. O combate ao abandono escolar é hoje, em pleno século XXI, uma prioridade para o Estado português Por isso, digo-vos que vale a pena estudar, vale a pena lutarmos pelo nosso futuro. Há que saber utilizar o nosso tempo para estudar e também para nos divertirmos. Haverá sempre tempo para tudo, bastará geri-lo de forma conveniente.

Também não poderia deixar de dar uma nota de que a geração que agora está a ser formada, vai ser a primeira a ter realmente igualdade de oportunidades em concorrer, de forma competitiva, com os restantes jovens europeus e do Mundo. Hoje temos crianças a aprenderem a Língua Inglesa no ensino primário. Temos crianças de tenra idade a desenvolverem competências informáticas e a estimularem os seus pais para voltarem a estudar.

Saliento ainda a forte aposta do actual Governo na requalificação e construção de novos parques escolares, que vêm trazer um acréscimo bastante significativo de qualidade ao ensino e à aprendizagem dos jovens portugueses.



5. Como é que, neste caso, a JS Cartaxo actua para defender o futuro dos jovens do nosso concelho?

A JS Cartaxo, tendo o seu espaço de intervenção próprio, autónomo e independente como referi anteriormente, não se inibe de participar com propostas concretas para o nosso concelho, distrito e país. Levámos um tema muito caro para a nossa terra aos órgãos distritais e nacionais da JS e temos a intenção de o levar à Assembleia Municipal do Cartaxo: o Vinho. Com a moção intitulada “Potenciar o sector vitivinícola no Ribatejo” pretendemos alertar e suscitar o interesse dos jovens para o sector da vitivinicultura e, de forma mais abrangente, para o sector da Agricultura.

Simultaneamente, elaborámos uma proposta intitulada "Cartaxo 2.0: POINT – Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica", apresentada na Assembleia Municipal, e aprovada por maioria, apenas com duas abstenções, que visa estimular o empreendedorismo e inovação no sector da Informática e das Tecnologias da Informação e Comunicação, reter e captar o know-how dos nossos jovens promovendo a sua fixação no concelho, premiar e divulgar os projectos e ideias inovadoras, e ainda promover o desenvolvimento tecnológico do nosso concelho.

Acompanhamos, de forma assídua, os fóruns de participação política e de cidadania, especificamente as Assembleias de Freguesia e a Assembleia Municipal.

Entendemos que a informação é extremamente importante e, por isso, tentamos também levar dados essenciais ao conhecimento dos jovens sobre diversos temas, nomeadamente na área da habitação jovem, do emprego, do desporto e da cultura, da solidariedade e acção social, do ambiente e da educação. Se os jovens estiverem melhor informados, poderão agir de uma forma mais consciente. Queremos uma juventude responsável, participativa e interveniente no nosso futuro e, sobretudo, no nosso presente.

Poderão consultar e acompanhar toda a nossa actividade em http://cartaxo-js.blogspot.com/ e nas redes sociais do Facebook e Twitter. Lanço também o apelo para participarem. Atrevam-se.

Muito obrigado pela oportunidade e votos de muito sucesso para o vosso Jornal. É de jovens activos, como vós, que o nosso concelho necessita.

Vasco Miguel Casimiro (JS Cartaxo)

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