27 janeiro 2010

Há 1,2 milhões de euros de projectos sociais cotados

Na Bolsa de Valores Sociais, criada em Novembro, já se aposta em 10 projectos.

Funciona como uma bolsa de valores, só que os valores são outros. Há acções para vender e investidores para as comprar. Mas não são acções de empresas lucrativas, são sim de projectos sociais e quem investe não ganha dinheiro. Tem apenas o benefício de dedução no IRS ou no IRC, e fica com a consciência de ter contribuído para um projecto que pode ajudar a melhorar o mundo.

Estamos a falar da Bolsa de Valores Sociais portuguesa, criada em Novembro em Portugal, a segunda a existir no mundo a seguir à do Brasil, que arrancou com quatro projectos e três meses depois já conta com dez cotados, cujo investimento social, a concretizar-se, é superior a 1,2 milhões de euros. Só os três novos projectos cotados resultam de uma selecção feita entre 72 candidaturas e representam no total um investimento social de 250 mil euros.

A meta é ter 24 cotados que, quando tiverem alcançado o total do financiamento, saltam da plataforma para dar lugar a outros. Na bolsa, quem gosta de ajudar os outros pode acompanhar online a evolução do projecto que escolheu para ainvestir, auditado por uma entidade externa.

A criação desta bolsa resulta de uma iniciativa da Atitute, consultora brasileira na área do empreendedorismo social, em parceria com a Euronext Lisbon e contou com os apoios das Fundações EDP e Gulbenkian. A Atitude já tinha sido a responsável pela criação da Bolsa de São Paulo e é dirigida por Celso Grecco, o homem que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já homenageou precisamente por causa daquele projecto (ver entrevista e perfil).

Só para colocar em funcionamento a de Lisboa foram precisos 160 mil euros, disse ao DN Celso Grecco.

De acordo com o balanço de dois meses de actividade da Bolsa Social Portuguesa, a que o DN teve acesso, o investimento nos dois meses superou os 57 mil euros, dos quais 18 mil resultaram de aplicações directas nos sete projectos cotados até Dezembro.Os restantes 39 mil euros foram aplicados num conjunto de iniciativas corporate realizadas por empresas que escolheram a bolsa de valores sociais como parceira para as suas campanhas de Natal. Entre estas empresas estavam a Lógica, Coface, Closer, EDP e a Sair da Casca.

Mas ao contrário do que se poderia esperar, têm sido mais os particulares a investir do que as empresas nestes projectos sociais. Um fenómeno que também se verificou na Bolsa de São Paulo.

"As pessoas investem é menos e as empresas aplicam um valor maior", explica Celso Grecco. Uma informação confirmada por cada um dos responsáveis dos projectos com quem o DN falou.

O investimento dos cidadãos anda entre os 10 e 30 euros e os das empresas chegam por vezes aos 25 mil euros. Apenas cinco ou seis empresas investiram até agora neste mercado virado para melhorar a vida de quem precisa e o ambiente que nos envolve. Mas, em contrapartida, 300 particulares já deram o seu contributo.

Lançada em época natalícia, o retorno que a bolsa está a dar ainda fica aquém das expectativas das organizações responsáveis pelos sete projectos que entraram até ao final do ano. Mas em 2010 todos esperam que a Bolsa de Valores Sociais Portuguesa se torne mais conhecida e que os portugueses apostem mais neste tipo de projectos, mesmo em tempos de crise. Até porque esta, por vezes, torna as pessoas mais solidárias.

in DN

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