08 outubro 2009

O erro de não ligar às eleições autárquicas

O país está parado à espera do desfecho da mini-série política sobre a formação do próximo Governo. É uma boa história de suspense.

Teve um início forte com um pseudo-episódio de espionagem que marcou a campanha eleitoral para as legislativas. As eleições produziram um resultado que deixou tudo em aberto e não garante, à partida, a estabilidade governativa. Depois, a declaração do principal protagonista do filme - o Presidente da República - que elevou o drama a um ponto explosivo. Para aguentar os espectadores agarrados às cadeiras, seguiram-se as reuniões de Cavaco Silva com os líderes partidários. E agora a expectativa está no final da série. Ainda haverá uma volta no argumento? Ou o próximo Governo será dentro das expectativas actuais? É esperar para ver.

Entretanto, há um outro filme em exibição, que está indevidamente a ser classificado como de categoria B. As eleições autárquicas passaram para segundo plano, o que é um erro por razões diversas. Primeiro porque o resultado destas eleições não é indiferente para o futuro imediato dos principais partidos políticos. A vitória ou derrota de Santana Lopes em Lisboa e de Rui Rio no Porto pode provocar um choque nas actuais estratégias para a nova luta de poder que se adivinha no PSD. E o PS também poderá ser obrigado a viver com novas forças internas.

Segundo porque o poder dos autarcas é vital para o país mas tem sido mal usado por culpa própria. As câmaras municipais têm uma proximidade com as pessoas que é uma arma eficaz na credibilização da política, desde que seja bem usada. Os cidadãos gostam de ver resolvidos os problemas dos sítios onde vivem. Mas, muitas vezes, os presidentes de câmara são notícia pelas piores razões. Não por elevarem a qualidade de vida das cidades mas por estarem envolvidos em suspeitas de crime associados às suas funções. E a classe política ainda não encontrou uma forma de limpar estas situações que mancham a imagem de todos os autarcas. Paga o justo pelo pecador.

Desta forma, as próximas eleições são uma oportunidade. Para os autarcas, de mostrarem o que querem fazer pela positiva, em vez de estarem mergulhados em polémicas. Para as pessoas, para mostrarem o que realmente querem dos presidentes de Câmara. É um argumento demasiado importante para ser considerado classificado como de segunda.
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Bruno Proença, Director-Executivo
bruno.proenca@economico.pt

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