08 outubro 2009

Ilações legislativas e autárquicas

MUITO SE TEM ESCRITO sobre o que se tem dito neste longo e penoso período eleitoral. Aos mais distraídos, dá ideia de serem os candidatos do costume, com a conversa do costume, as promessas e acusações do costume, mas a falarem de mudança, como, de resto, é costume. O problema é que aos mais informados dá precisamente a mesma ideia. Viremo-nos então para único discurso em que se registam novidades de há uns anos a esta parte: o do eleitor. Se, até hoje, ouvirmos que "os políticos são todos iguais", "a culpa é de quem os põe lá" ou que "isto está entregue a meia dúzia" era comum, a acusação de que "aquilo é tudo marketing" é, infelizmente, uma novidade. E digo infelizmente porque revela um galopante preconceito popular que transforma o marketing num sinónimo de palavras como mentira, fachada ou ficção, no seu pior sentido. Se é marketing, é a fingir, o que não é verdade. Qualquer marketeer com estudos sabe que, nos tempos que correm, uma empresa que pretenda passar por aquilo que não é, é uma empresa condenada. Se há virtude no descontrolo global de fluxos de informação é a de obrigar as marcas a serem fiéis aos seus compromissos, sob pena de serem expostas num clique. Nenhum político corre riscos por excesso de marketing, desde que este sirva para construir uma imagem verdadeira e coerente com o "produto" que vende. Tenho para mim que se o Obama fosse um pulha nem presidente da junta era.

por Nuno Jerónimo, Publicado em 06 de Outubro de 2009
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