21 julho 2009

O Manuel Alegre de Manuela Ferreira Leite

O Manuel Alegre de Manuela Ferreira Leite chama-se Pedro Passos Coelho. Gosta de protagonismo, tem agenda própria e se sentar a sua figura bem-apessoada na Assembleia da República só vai dar dores de cabeça à direcção do PSD. Convidá-lo para integrar as listas de deputados é o mesmo que abrir a porta do galinheiro e deixar a raposa entrar. Não o convidar para integrar as listas de deputados valerá a Manuela Ferreira Leite inevitáveis acusações de vingança, de contrariar a decisão da distrital de Vila Real e de não contribuir para a renovação das listas, ao contrário do que tinha prometido. Basicamente, a líder do PSD tem de escolher entre engolir um sapo ou fazer papel de bruxa má. Quem diz que a vida de um político é tarefa fácil?

A diferença entre Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho nas eleições de Maio foi tão curta (menos de três mil votos) que desde então o jovem futuro líder tem andado num corrupio imparável. Minto: desapareceu algum tempo quando a crise económica bateu forte, para ver se os portugueses se esqueciam dos seus entusiasmos mais liberais, como a privatização da Caixa Geral de Depósitos. Mas depressa regressou para ir espetando as suas alfinetadas sazonais nas costas de Manuela Ferreira Leite, dizendo que estava a praticar acupunctura (ou seja, a contribuir para o debate interno do PSD) quando estava evidentemente a praticar vudu (ou seja, a fazer a cama a Manuela Ferreira Leite).

É a política, dir-me-ão. Pois é. Mas a certa altura Pedro Passos Coelho foi longe demais. As jogadas políticas só são boas quando resultam. Quando falham, transformam-se rapidamente em jogadas rasteiras e, pior do que isso, em traições. E ninguém confia num político que é apanhado a enfiar o punhal nas costelas de um companheiro do partido. Ora, foi isso que Passos Coelho fez nos últimos dias da campanha para as eleições europeias, quando apareceu a exigir a vitória do PSD. "Se o PSD não tiver um bom resultado parte um pouco mais diminuído para as próximas eleições", disse ele à Renascença. "Devemos mostrar que temos condições não apenas para ganhar as eleições mais fáceis [as europeias], mas também as mais difíceis", disse ele à RTP.

O PSD ganhou. E foi o pior que podia ter acontecido ao jovem futuro líder. Porque ver com clareza as rodinhas a girar na cabeça de um político e perceber a matemática enviesada por trás das suas declarações de aparente candura é assim como ver por dentro o funcionamento do tubo digestivo. Ninguém gosta. Tivesse sido mais paciente, e Passos Coelho poderia ter sido um príncipe. Neste momento, é apenas um sapo. Para Manuela Ferreira Leite engolir.

in DN por João Miguel Tavares

2 comentários:

Jorge Manuel Honório disse...

Para variar, comentários à Sousa Tavares, comenta como que faz um poema em verso ou uma anedota em rima...é so pa divertir o pessoal! Não concordo com essa comparação com o alegre porque Passos Coelho é um liberal assim como manuela ferreira leite e partilham de muitas opinioes (a grande diferença nos votos e consequente "vantagem competitiva" da Manela teve a ver com a experiencia e seriedade na política, porque não é como os outros que fazem daquilo uma carreira, entram pekeninos e saem grandes e gordinhos), para além de que ele já subscreveu Santana Lopes ao afirmar que o PSD tem, hoje, uma verdadeira líder!

Vasco Miguel Casimiro disse...

Grande Manolo,

Este texto não é do Miguel Sousa Tavares :) o texto é da autoria de João Miguel Tavares, jornalista, que escreve no DN.

Veremos se Passos Coelho será aceite como candidato a deputado ;)

Abraço,

VMC