25 maio 2009

'Arena' de João Salaviza vence Palma de Ouro no Festival de Cannes

Aos 25 anos, o realizador é distinguido no Festival de Cannes pelo o seu primeiro filme profissional, sobre um rapaz a cumprir prisão domiciliária

A curta-metragem Arena, primeiro filme profissional do realizador português João Salaviza, de 25 anos, recebeu a Palma de Ouro da categoria no Festival de Cannes.

Já exibido no IndieLisboa deste ano, Arena, produzido pela Filmes do Tejo, conta a história de Mauro (interpretado por Carloto Cotta), um rapaz que está a cumprir um pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de ter que transgredir a lei para acertar contas com um bando de miúdos marginais.

Ao receber o prémio, João Salaviza - que é realizador dos tempos de antena do Bloco de Esquerda - agradeceu ao Festival a oportunidade que lhe foi dada para mostrar o seu amor ao cinema: "Obrigado ao festival por nos permitir mostrar a nossa paixão e amor pelo cinema, obrigado ao júri por seleccionar este filme e obrigado à minha produtora, que não pôde estar aqui esta noite mas está muito feliz", disse. E acrescentou: "Penso que o cinema está vivo e este prémio também pertence à nova geração e partilho-o convosco".

Numa nota escrita quando da projecção de Arena no Indie, o realizador esclareceu sobre a fita: "Mais do que captar as transformações de um lugar, interessa-me a tensão dos momentos em que nada se altera. O protagonista de Arena está confinado a um espaço e a um tempo limitados. Ao filmar o Mauro em prisão domiciliária, confrontei-me com a condição de um homem que não tem para onde ir. Segui esta ideia, desde o guião até à montagem. O princípio é de que os planos não se antecipam às deambulações do protagonista, nem lhe sugerem caminhos que ele, simplesmente, não pode ver. É justo para alguém que vive com grades nas janelas, e que está secretamente à espera que as coisas mudem para si". João Salaviza defendeu ainda que Arena é um filme sobre violência urbana e juvenil, sobre bairros problemáticos que são verdadeiras "bombas-relógio".

Falando à Lusa, a produtora Maria João Mayer disse que o prémio é "maravilhoso, mas completamente inesperado" e que poderá dar "continuidade" ao trabalho de João Salaviza, "que lhe abra portas para trabalhar com apoios financeiros nacionais, mas também estrangeiros e que continue a realizar. Ele é um realizador com muito talento".

O filme não tem ainda distribuidor em Portugal, embora tenha um vendedor mundial, mas Maria João Mayer espera que, graças a esta Palma de Ouro da Curta-Metragem, "seja mais fácil" colocá-lo em sala.




in DN

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