15 novembro 2008

Moita Flores diz que Comunidade urbana da Lezíria "é uma farsa"

O Conselho de Administração da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo vai ser hoje eleito pelo Plenário dos Presidentes dos 11 municípios que integram a CIMLT. O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Francisco Moita Flores (independente eleito pelo PSD), tomará posse no Plenário de Presidentes mas não vai participar no que considera ser "uma farsa".

Na linha das posições que tem tomado, Moita Flores considera que a comunidade "não serve os interesses dos municípios" que a integram e que tem sido liderada por "gente com uma visão egocêntrica" e parte "de um passado sem glória".

"Estaremos sempre lá a combater, num combate difícil e duro", garantiu, assegurando que Santarém "não esquece o que a CULT lhe fez", numa referência ao processo de constituição da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, que Santarém abandonou acabando por perder os fundos comunitários que estavam previstos para os seus projectos de saneamento.

José Sousa Gomes (PS), presidente da Junta da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo (CULT), que cessa funções, disse ser seu entendimento que uma votação nominal levaria a uma dispersão, pelo que tenciona apresentar uma lista.

Além de Sousa Gomes, a lista deverá manter, da anterior direcção, o comunista António José Ganhão (Benavente) e integrar o presidente da Câmara Municipal da Azambuja, Joaquim Ramos (PS).

A candidatura de Sousa Gomes mereceu apoio público de Joaquim Ramos e do presidente da câmara municipal do Cartaxo, o também socialista Paulo Caldas, que contudo defende uma direcção apenas composta por autarcas socialistas.

Sousa Gomes disse à Lusa não partilhar esta posição, considerando que "não há nenhuma razão" para excluir o autarca de Benavente, que tem tido uma postura "muito sensata", sublinhando ainda que a inclusão da CDU no órgão directivo da comunidade permite um "maior equilíbrio".

António José Ganhão afirmou à Lusa que não faz questão de estar presente na comissão executiva da CIMLT se isso for causa de divisão entre os autarcas, mas recordou todo o historial desde a criação da Associação de Municípios da Lezíria do Tejo, marcado pela "unidade" e pela representação dos dois partidos com mais peso na sub-região.

Dizendo não perceber por que se levanta a questão, António Ganhão afirmou não pretender ser um problema querendo antes fazer parte da solução, declarando-se disponível para, qualquer que seja a decisão, dar o seu contributo para a comunidade.

O autarca do Cartaxo (município que também abandonou o processo da Águas do Ribatejo) fundamenta a exigência de uma direcção exclusivamente socialista "face a todas as vicissitudes por que passou a gestão" da CULT e pela necessidade de uma "estabilidade maior" perante os "próximos desafios e a formação da sub-região da Lezíria".

Depois da eleição dos órgãos dirigentes, as Assembleias Municipais dos 11 concelhos que integram a CIMLT vão eleger, até ao final do ano, os seus representantes na Assembleia da Comunidade.

in O Mirante

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