26 novembro 2008

Autarcas de Valada queixam-se da deficiente intervenção nos diques

Os autarcas da freguesia de Valada, Cartaxo, queixaram-se de “deficiências” na reparação de perto de 20 quilómetros de diques junto ao Tejo, tendo exigido que a empresa responsável pela obra procedesse às devidas correcções.

O presidente da Junta de Freguesia de Valada, Manuel Alfredo Fabiano (PS), disse que, quando as autoridades locais detectaram que as obras nos diques apresentavam “deficiências” passíveis de “colocarem em risco a segurança das populações em caso de grande cheia do Tejo”, decidiram intervir.

A Assembleia de Freguesia (de maioria PSD) propôs uma visita ao local para verificação das anomalias, que se realizou com a presença da vereadora na Câmara Municipal do Cartaxo com o pelouro das Obras Municipais, Rute Ouro, de um técnico municipal e do responsável técnico da obra.

Manuel Fabiano afirmou que a empresa não estava a fazer “um trabalho de fundo”, enquanto João Oliveira, membro da Assembleia de Freguesia, disse que há troços do dique que não foram intervencionados, sendo “visíveis muitas fendas e buracos”, que “comprometem a estabilidade” daquela barreira.

A empresa à qual foi adjudicada a reparação dos cinco diques, numa extensão de cerca de 19 quilómetros, por 500.000 euros, ainda não entregou a obra, tendo Manuel Fabiano assegurado que só o fará quando as vistorias da autarquia e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) verificarem que “ficou tudo devidamente feito”.

A obra, comparticipada em 10 por cento pela Câmara Municipal do Cartaxo, teve um orçamento inicial de 1,6 milhões de euros, atribuído pela CCDR-LVT.

Paulo Caldas, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo (PS), disse que o remanescente da verba poderá não ser devolvido, uma vez que a autarquia quer reinvestir esse dinheiro na valorização da margem ribeirinha.

Paulo Caldas declarou-se ainda optimista quanto à perspectiva de obter um “regime de excepção” para Valada, que sofre apertados condicionalismos urbanísticos determinados pela Lei da Água.

“Estou optimista que em 2009, conjuntamente com a revisão do Plano Director Municipal, vai haver possibilidade de edificação em Valada”, disse.

Com as limitações impostas, usando a quota de cheia de 1979, a maior do século XX, Valada, ameaça “morrer”, na opinião dos autarcas de todos os partidos com assento nos órgãos autárquicos da freguesia, bem como na Câmara.

in O Mirante

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