03 setembro 2008

Atentado ambiental na Palhota!

Associação denuncia descarga de entulho junto à ponte do cais

A Associação de Defesa do Ambiente Projecto Palhota Viva denunciou hoje a descarga de entulho junto da aldeia de pescadores avieiros da Palhota, em Valada, no concelho do Cartaxo, junto à ponte do cais do rio Tejo.

O coordenador do projecto, Humberto Vasconcelos, insta as autarquias a uma “rápida averiguação” para identificar a proveniência dos “montes de entulho depositados ilegalmente, tanto à entrada da aldeia como junto à ponte cais”, numa carta enviada à Câmara Municipal do Cartaxo e à Junta de Freguesia de Valada, a que a Agência Lusa teve acesso.

A Palhota Viva destaca também a recente aprovação do projecto de estudo de valorização social e económica de “14 aldeias de pescadores avieiros” apresentado pelo Instituto Politécnico de Santarém, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.

O ofício recorda que “a Palhota é a mais bem conservada” e encontra-se classificada como Património de Interesse Municipal.

Por isso, "nada pior que o acto criminoso e ilegal efectuado por quem ignora ou faz por ignorar as leis e os interesses da natureza".

“A origem desse entulho não deve ser difícil de descobrir, pois é claramente proveniente de obras efectuadas nas redondezas e bastará à autarquia proceder a uma rápida averiguação para verificar onde estão a fazer obras, pois que até essas mesmas obras deverão, segundo a lei, ter uma licença”, remata a missiva.

O presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Paulo Caldas, confirmou à Agência Lusa a descarga e garantiu que “os serviços municipais vão proceder imediatamente à remoção do entulho colocado clandestinamente” na Palhota e que “os serviços de fiscalização tentarão identificar o autor da “deposição abusiva”.

in O Mirante


Despejos ilegais invadem Palhota

A aldeia de pescadores avieiros da Palhota, no Cartaxo, está a ser alvo de descargas de entulho, junto à ponte do cais no Rio Tejo. Um atentado ambiental que pode colocar em risco o trabalho de preservação daquele património.

A denúncia partiu da Associação de Defesa do Ambiente Projecto Palhota Viva, cujos seus dirigentes interceptaram ontem, em flagrante, um dos vários despejos ilegais naquela aldeia, na freguesia de Valada do Ribatejo. De origem desconhecida, o entulho é composto essencialmente por restos de obras de construção civil e tijolos. Os materiais têm sido depositados tanto à entrada da localidade como perto do pontão e espaço de merendas, que a Câmara Municipal do Cartaxo mandou construir recentemente.

Segundo Isabel Vasconcelos, um dos rostos da associação, o entulho clandestino coloca em causa a salvaguarda da Palhota, uma das 14 comunidades avieiras, existentes entre a Chamusca e Grândola, onde se fixaram populações piscatórias oriundas de Vieira de Leiria, no final do século XIX. "Esta aldeia é das mais bem preservadas no conjunto das suas congéneres. Estes actos são criminosos e desfazem todo o trabalho que tem sido elaborado nos últimos anos", adiantou, ao JN, a dirigente.

Numa carta aberta, enviada ontem ao município e à Junta de Freguesia, a associação ambientalista pediu às autoridades que averiguem rapidamente a identificação dos prevaricadores. "Será fácil perceber quem são, basta que a Câmara faça um levantamento das obras que estão a decorrer nas redondezas", explicou Isabel Vasconcelos.

O presidente da Câmara, Paulo Caldas, garantiu à Lusa que os serviços municipais irão remover o entulho e tentar identificar os autores das descargas.

Apesar da Palhota estar classificada como Património de Interesse Municipal, por manter intactas as características arquitectónicas típicas das aldeias ribeirinhas avieiras, os despejos têm sido uma constante nos últimos semanas.

Como refere a associação, a deposição de entulho ter-se-á iniciado perto das instalações da Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território e estendido até a uma zona de extracção de areia. Há vários dias, os resíduos começaram a surgir à entrada da aldeia.

Há duas semanas, vários projectos de salvaguarda da cultura avieira - onde se inclui a Palhota -, elaborados pelo Instituto de Santarém, tiveram acesso a fundos europeus, no âmbito do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos. O objectivo é candidatar aquele vasto legado a Património Nacional.

in JN

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