28 julho 2008

Santarém e Cartaxo dizem que ganham mais fora da Águas do Ribatejo

Moita Flores e Paulo Caldas afirmam que os seus munícipes vão sair beneficiados com mais investimentos.

Os presidentes das câmaras de Santarém e Cartaxo consideram que ao abandonarem a empresa Águas do Ribatejo e implementarem sistemas próprios lhes permite um encaixe financeiro muito maior. Isto independentemente de ter sido aprovada a candidatura de 41,8 milhões de euros aos Fundos de Coesão da União Europeia para a Águas do Ribatejo (que corresponde a uma comparticipação de 28,4 milhões de euros), deixando Santarém e Cartaxo de fora porque abandonaram o projecto.

O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), volta a criticar a situação da Águas do Ribatejo dizendo que apesar de terem os fundos “ainda muita água vai correr debaixo da ponte até a empresa estar a funcionar em pleno”. Recorda que a empresa municipal Águas de Santarém, criada após o abandono de Santarém da Águas do Ribatejo, já está operacional e em vias de ter um parceiro privado. O que vai permitir um encaixe de 15 milhões de euros para investimento. O autarca sublinha que se Santarém estivesse na Águas de Santarém só teria direito a 7 milhões de euros de investimento nas áreas da água e saneamento, “o que era insignificante”. E realçou que vão ser candidatados ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) projectos na ordem dos 18 milhões de euros.

O presidente da Câmara de Santarém, que tem criticado o processo de constituição da Águas do Ribatejo desde o início, recorda que esta empresa intermunicipal que agrega sete municípios ainda nem sequer lançou o concurso para a escolha de um parceiro privado, enquanto Santarém já tem o seus “negócios estruturados”. Avisa que a União Europeia “vai ter uma fiscalização muito séria” sobre a aplicação dos Fundos de Coesão o que pode significar contratempos para a Águas do Ribatejo. “Eles não vão ter um parceiro privado tão cedo”, prevê.

O presidente do Cartaxo, Paulo Caldas (PS), mostra-se agradado que os Fundos de Coesão tivessem ficado na região, mas realça que o Cartaxo tomou a opção certa ao sair da Águas do Ribatejo onde ia apenas ter direito a uma comparticipação de dois milhões de euros num montante global de investimento de seis milhões de euros. Caldas sublinha que pode ir buscar mais apoios para investimento nas redes de águas através do QREN, lembrando que estão previstos com o modelo de concessão da gestão da água do concelho a um privado investimentos na ordem dos 20 milhões de euros.

Paulo Caldas refere que as propostas para a concessão já foram abertas e o processo está em fase de audiência prévia, revelando que nenhum concorrente apresentou propostas abaixo dos 23 milhões de euros. Dinheiro que vai entrar directamente nos cofres da câmara. O autarca refere também que na Águas do Ribatejo o Cartaxo iria receber de dividendos 1,7 milhões de euros, enquanto com o seu modelo receberá 21 milhões ao longo da concessão sendo que 40 por cento são pagos logo no início. No caso do Cartaxo, a EPAL vai fornecer a água e um privado vai fazer a gestão da rede em alta e em baixa. E garante que os munícipes do concelho vão pagar taxas mais baixas que as que vão ser praticadas nos municípios da Águas do Ribatejo quando esta abrir o capital aos privados.

Sobre as declarações do presidente da Águas do Ribatejo e da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo (CULT), que acusou os que criticaram o processo de constituição da empresa intermunicipal de “analfabetismo autárquico”, Paulo Caldas diz que nem quer acreditar que tenha sido proferido esse tipo de “barbaridades” porque apesar de terem abandonado o processo sempre primaram pela “camaradagem e solidariedade no seio da CULT. Já Moita Flores diz que “daqui por seis meses quando se perceberem as movimentações das empresas se perceberá quem é analfabeto autárquico”.

in O Mirante

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