21 fevereiro 2008

Pedro Ribeiro renuncia ao mandato de vereador

Pedro Magalhães Ribeiro vai apresentar o pedido de renúncia ao mandato de vereador na próxima reunião da Câmara do Cartaxo, que se realiza a 26 de Fevereiro, na freguesia de Valada.

O anterior vice-presidente da autarquia, que perdeu a confiança política do presidente da autarquia quando apresentou a sua candidatura à comissão política concelhia do PS Cartaxo, já transmitiu a sua decisão a Paulo Caldas, a António Góis, presidente da Assembleia Municipal do Cartaxo, e ao presidente da federação distrital do PS, António Rodrigues.

A decisão tem por base o facto de Pedro Ribeiro considerar que são grandes as divergências políticas com a actual linha de gestão da Câmara.

Bastante critico em relação à forma como está a ser gerida a autarquia, Pedro Ribeiro lamenta “a actual gestão de pessoal, em que não são reconhecidos aqueles que melhor desempenho têm, em que se triplicam as estruturas de chefia na Câmara, mas não se reconhecem nem se respeitam aquelas que hoje existem, nem os trabalhadores da Câmara que há muitos anos ali trabalham, quebrando assim as relações sempre existentes entre políticos e colaboradores da Câmara”.

O ainda vereador sem pelouros sublinha também que “o PS na Câmara rasgou os seus compromissos com os eleitores e inverteu o caminho de contenção orçamental que estava a ser seguido”, dando como exemplo o Orçamento para 2008, que previa a venda do Campo da Feira; a intenção do PS sempre foi a sua reabilitação, “para oferecer melhores condições para a realização da Feira dos Santos, do mercado mensal e da Festa do Vinho”, lembra.

"Vender o Campo da Feira é vender a nosso alma, a nossa memória colectiva e as tradições da nossa terra. E estas nunca podem estar à venda”, desabafa.

Pedro Ribeiro diz ainda que “uma boa gestão financeira era ter como prioridade canalizar as receitas extraordinárias da concessão da água a privados para o pagamento da divida, nomeadamente, a dívida aos fornecedores do concelho que atravessam grandes dificuldades financeiras”.

Acrescenta que “mandam os princípios da boa gestão que não se pode concessionar serviços a privados e ao mesmo tempo aumentar em mais de 1.150.000 euros as despesas com o pessoal”, o que considera ser “hipotecar o futuro do concelho”.

Apesar das críticas, Pedro Ribeiro sublinha que não quer ser visto como “um factor de instabilidade”, e prefere afastar-se “por discordar fortemente do rumo político na condução do concelho e na gestão dos recursos humanos e financeiros da Câmara Municipal”.

Considera, contudo, que o actual rumo seguido pela Câmara foi “legitimado nas eleições internas para a concelhia”, ganhas por Paulo Caldas na sexta-feira, 15 de Fevereiro.

“Sempre tive um grande sentido de responsabilidade e tenho um passado e um presente imaculado dentro do partido, facto esse que contribuiu para juntar à minha volta, nas recentes eleições para o PS/Cartaxo, todos aqueles que deram a cara pelo PS no Cartaxo nos últimos 30 anos”, sublinha o ainda vereador, afirmando que vai continuar a contribuir “para restaurar a estabilidade e credibilidade do partido socialista”.

Quanto ao futuro, Pedro Ribeiro diz que vai manter-se “numa posição de reserva atenta e preocupada, mas consciente do capital de confiança que reúno dentro e fora do PS, e que tudo farei para não defraudar”.

in O Ribatejo

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