11 fevereiro 2008

“Há um clima de perseguição no PS do Cartaxo”

“Há um clima de chantagem e de perseguição política dentro do PS Cartaxo que eu não posso admitir”, garantiu Pedro Magalhães Ribeiro na apresentação da lista que o acompanha na corrida à presidência da comissão política concelhia.

O vereador, que perdeu a vice-presidência da autarquia quando anunciou publicamente a sua candidatura ao órgão ainda liderado pelo presidente Paulo Caldas, foi mais longe e garantiu ainda que houve “chantagem sobre Presidentes de Junta” para que não o apoiassem publicamente.

“Gostava de sublinhar a responsabilidade desses homens, porque puseram de lado aquilo as suas convicções pessoais para defender os interesses das populações que os elegeram”, continuou ainda Pedro Ribeiro, dando a entender que os autarcas locais foram forçados a retirar o seu apoio sob pena de verem os investimentos da Câmara na sua freguesia diminuírem drasticamente.

Sem querer identificar quais, o candidato garantiu apenas que sabe disto porque “foram os próprios presidentes de Junta que vieram contar-me”.

“Chegou o tempo de dizer basta, e isto é um sentimento que nos invade a todos”, exclamou Pedro Ribeiro, arrancando um forte aplauso aos muitos militantes que lotaram o salão da Junta de Freguesia do Cartaxo no sábado, 9 de Fevereiro.

Délio Pereira e Maria Filomena Lopes são, respectivamente, os números dois e três da lista, que conta com o apoio expresso de todos os “pesos pesados” socialistas do concelho: os ex-presidentes de Câmara Renato Campos e Conde Rodrigues, quase todos os ex-vereadores, como Augusto Parreira, Álvaro Pires e Elvira Tristão, os ex-presidentes da Assembleia Municipal e muitos eleitos deste órgão, e outros militantes históricos, como a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente.

Segundo o próprio, a sua candidatura é motivada pelo “mau diagnóstico” que os próprios militantes do PS fazem da acção do actual presidente, nos últimos dois anos.

“Numa reunião do secretariado, o órgão máximo do partido no concelho, todos foram unânimes em concordar que o PS é um partido fechado e virado para dentro, sem ideias, que se confunde constantemente com a Câmara Municipal e que não reúne os seus órgãos com a regularidade exigida pelos estatutos”, sublinhou o candidato.

“Foi contra este estado de coisas que decidi avançar, mas hoje reconheço que fui ingénuo”, desabafou, lamentando os “ataques pessoais” e a estratégia de intimidação de militantes que tem pautado a campanha da lista concorrente.

Criticando a “inércia do partido” com as “forças vivas” do concelho, Pedro Ribeiro manifestou-se bastante preocupado com a tendência dos resultados eleitorais que o PS tem vindo a registar no Cartaxo.

Há dois mandatos atrás, o PS liderava a Câmara com uma confortável margem de seis vereadores contra um; no mandato seguinte, perdeu um vereador para o PSD; actualmente, tem quatro, contra dois do PSD e um da CDU.

“Nós não estamos a reflectir devidamente sobre isto”, avisou o candidato, explicando que só um maior envolvimento do partido com a sociedade civil pode inverter esta “quebra de confiança política”.

É neste sentido que vão muitas das propostas que promete concretizar, caso vença as eleições de 15 de Fevereiro, caso da realização de reuniões políticas descentralizadas nas freguesias, encontros trimestrais com as Juntas e Assembleias de Freguesia, formação técnica e política para militantes ou a criação de um site na Internet e de um boletim periódico onde o PS faça chegar aos militantes informações sobre a sua actividade, entre outras ideias constantes da moção “dar voz aos militantes”.

in O Ribatejo

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