12 fevereiro 2008

Fossas do Reguengo estão outra vez cheias

As fossas assépticas que servem de depósito aos esgotos da povoação do Reguengo, na freguesia de Valada, concelho do Cartaxo, estão novamente cheias e a vazar borda fora os efluentes que deveriam reter.

O problema, que se arrasta há vários anos, é agravado por uma empresa agrícola que labora junto ao local, e que procede a lavagens constantes dos produtos hortícolas que comercializa, o que é totalmente legal no âmbito da sua actividade.

“As águas das lavagens entram directamente para a rede e esgotam por completo a capacidade das fossas, que não estão preparadas para um volume tão grande de efluentes”, explicou ao nosso jornal Rute Ouro, vereadora na Câmara do Cartaxo.

A autarquia vai ter que proceder novamente ao esvaziamento das fossas, depois de, no início de 2007, ter pago a uma empresa especializada a limpeza profunda aos cinco tanques, de onde foram retiradas todas as lamas e detritos que se acumularam ao longo dos anos.

“O problema só será definitivamente resolvido quando se avançar para a construção da ETAR de Valada, um dos investimentos previstos na constituição da futura empresa de águas e saneamento”, explicou a vereadora, que reconhece existir ali “um problema de saneamento, mas onde a Câmara não pode fazer muito mais do que tem feito”.

“Estamos, juntamente com o presidente da Junta de Freguesia de Valada, a tentar sensibilizar o proprietário da empresa para a necessidade de começar a fazer o reaproveitamento das águas, nomeadamente até para rega, mas isso depende da sua vontade”, continuou Rute Ouro, sublinhando que as águas que escorrem para fora das tampas das fossas provêem maioritariamente das lavagens feitas pela empresa.

A vereadora lamentou ainda que as denúncias cheguem primeiro à comunicação social do que aos serviços da autarquia.

Esta situação foi detectada no passado sábado, 9 de Fevereiro, por um munícipe que fez chegar ao nosso jornal as fotografias e a sua indignação perante esta situação que “diz ser da exclusiva responsabilidade da Câmara e da Junta de Freguesia de Valada, por teimarem em não resolver o problema”.

Como os efluentes estão literalmente a céu aberto, “o cheiro nas redondezas é insuportável, sobretudo quando não chove e em dias de maior calor”, conta Miguel de Mello.

A incapacidade dos vários tanques para reter as águas está também a provocar a contaminação dos lençóis freáticos subterrâneos, que nesta zona são altos.

“Há muitos furos inquinados e poços de água que não podem ser utilizados pelos proprietários”, adianta o mesmo, exigindo uma solução célere para o problema.

“Como é possível andar a falar em projectos turísticos megalómanos, como o Valada XXI, que ninguém sabe bem o que é, quando nem sequer existe saneamento básico para garantir a qualidade de vida às populações”, continua o mesmo, sublinhando que a situação tem provocado muitos protestos por parte da população do Reguengo.

in O Ribatejo

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