26 janeiro 2008

A Saúde em Portugal

Urgência: «O que quer que faça?»

A emergência médica em Portugal apresenta sérias falhas, nomeadamente, nos pequenos concelhos do país. As deficiências podem ser encontradas na comunicação entre os vários intervenientes e nos protocolos a seguir em caso de alerta de um possível acidente mortal. A difícil resposta a casos de emergência ganha corpo através da reprodução de chamadas telefónicas do INEM, feita pela SIC.

O pedido de assistência, ouvido na noite desta quinta-feira, mostra como foi efectuada a assistência a António Moreira, que caiu em casa durante a noite. As dificuldades de comunicação começam na chamada inicial que dá conta do acidente. O irmão da vítima indica que este deverá estar morto, no entanto, a «forma gélida» como participa a ocorrência leva a operadora a hesitar nos meios que deve accionar.



Quando finalmente se inicia o processo de contacto dos meios a confusão instala-se, sem que se note em qualquer momento «a urgência de responder a uma urgência». Numa chamada que dura nove minutos, os bombeiros de Favaios não conseguem dar resposta à ocorrência. O bombeiro de serviço não sabe o que fazer e está sozinho. Acaba por ser a cooperação de Alijó que dá resposta e chega ao local 30 minutos depois. Já a viatura médica do INEM chegou 44 minutos depois, segundo as informações oficiais. No entanto, familiares da vítima afirmam que a VMER de Vila Real só chegou «duas horas depois».

Os responsáveis pelas corporações de Favaios e Alijó acreditam que houve um mal entendido. Defendem, porém, que não foi isso que pôs em causa o socorro de António Moreira, 44 anos, que faleceu na madrugada de terça-feira, na sua casa em Castedo do Douro, concelho de Alijó, depois de uma queda, em que terá batido com a cabeça, e que o terá deixado a sangrar.



Na chamada fica ainda patente as dificuldades causadas com o fecho das urgências nocturnas e a necessidade de transportar os doentes para os novos pontos de atendimento.

«Muito trabalho a fazer»

O ministro da Saúde, Correia Campos, admitiu à SIC que «há muito trabalho a fazer». O ministro explica que o familiar «fez bem» em chamar o 112, apesar de ter a percepção de que a vítima já tinha falecido. Correia Campos, reconhece que há necessidade de realizar «trabalho de articulação com os bombeiros», mas o Governo está «a cobrir o país com ambulâncias». O ministro recusa, no entanto, que estes casos sejam frequentes.

O presidente do INEM reconhece também que «há falhas», no entanto, a emergência no país é «eficaz e está a melhorar».

A Liga dos Bombeiros reconhece as «vulnerabilidades» nas emergências. O presidente, Duarte Caldeira, admite as falhas «graves» em concelhos pequenos, como Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e Guarda. O responsável sublinha que o caso demonstra que o INEM não faz a cobertura nacional no pré-hospitalar.

in Portugal Diário

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